Home Data de criação : 07/08/02 Última atualização : 11/10/20 09:03 / 2 Artigos publicados

...Oscilando...  escrito em domingo 31 agosto 2008 01:07

A sola da bota, silênciosa como de costume, anda enquanto a mente vaga pelo corredor sem volta da biblioteca.
Com a mão na maçaneta respiro antes de entrar.
Minhas vestes pretas e pesadas se iluminam na luz da lareira quente.Passo a mão no cabelo rebelde tentando não parecer tão desleixado.
Como de costume a cadeira estofada em couro vinho estava vazia. E isso, num subto instante de felicidade anunciava que Amanda estava de bom humor.

-Pensei que tinha perdido o gosto pela biblioteca Coruja.

A voz descontraida, vinda do segundo andar, de trás de um grosso e surrado livro intitulado " Sonhos e Pesadelos", parecia apropriada para o momento.

-Estive ocupado.

-Salvando criançinhas indefesas ou destruindo mais Patrimonios Publicos? - Não pude deixar de notar o sinismo das ultimas palavras.

-Na verdade, era justamente sobre isso que eu queria conversar.

Me analisando por um instante - Vai me pedir aumento também? - O Allan concerteza já havia passado por lá  antes de mim.

-Não, vou pedir mais trabalho.

Ela desce os degrais circulares enquanto a lareira crepitava ao lado da mesa de carmim.O globo encima da mesa refletia a luz do lugar.
Tirando a lareira, o luar que atravessava a janela entre aberta era a unica iluminação da biblioteca.


-Nos ultimos tempos, eu tenho me incomodado com o fato de não dormir. Não me sinto cansado, e por isso queria aproveitar mais o meu tempo. Treinar mais. - Dobrava os dedos nas costas tentando não parecer tão ancioso.

-As missões periodicas que vocês quase nunca completão com susseço não bastam pra preencher a sua folha de pagamento Coruja? - O andar flutuante parecia me provocar mais do que as palavras - Por que se for esse o caso, não estou disposta a dar mais desculpas aos meus contribuintes sobre bens que desaparecem, estradas que explodem sem nenhum motivo, ou civis que veem homens alados durante o dia.

-Nós estamos tentando nos adaptar a nova rotina de super agente - Em parte ela estava certa, mas o dificil era explicar como as coisas pareciam planejadas. Simplesmente aconteciam, e eu na maioria da vezes, levava a culpa por ser o mais despreparado - Não tem como controlar...

- É sua obrigação ser cauteloso. A sorte dos três é que eu não tenho tempo de treinar mais um ou dois agentes pra subistituição - Enquanto falava cerrava os olhos ameaçadoramente - Caso contrario já teriam sido expulsos da corporação. Sera que é pedir de mais um pouco mais de cautela?
Já deixei avizado ao allan e vou falar com o Nelson pela amanha. Não quero mais erros. Não quero mais improvisos. Não quero mais irresponsabilidade!

O silêncio invade a sala.A essa altura eu quase me esquecia do motivo da visita.Tentava tristemente lembrar de uma vez em que ela se sentiu satisfeita com as nossas missões.
Tudo bem que era mais facil quando estavamos na CIA. Uma corporação menor pede medidas menores. Mas agora, as proporções eram catastróficas. Nada parecia sair como o planejado. E isso era um tanto incomodo.

-Mas acho que você não veio aqui pra levar bronca... - Agora sorrindo ela se sentava em sua cadeira e me indicava a cadeira vaga a sua frente. Por que sera que ela tinha um humor tão instavel? - ...Contime  o que voce quer.

Sento na cadeira tentando parecer o mais confortavel possivel, e enquanto ela pousava o livro grosso na mesa de marfim eu analisava cada sentimetro daquele rosto rosado antes de prosseguir. Me sentia mais seguro antes da bronca, mas não custava nada tentar. O cabelo castanho ondulado as vezes me distraia enquanto a luz do luar sintilava as suas variações de tonalidades. 


- Quero permissão pra sair em missão por conta própria... - As palavras saltavam muito mais rapido do que eu imaginara - ...Sem o Allan ou o Nelson.


Fisgando a minha impaciencia ela se abre em um sorriso malicioso.


- Tipico.Mas... - Inclinando-se mais para a frente enquanto cerrava os olhos - ...Por que?


Agora ela estava tão perto de mim que eu quase podia sentir o cheiro da sua pele - Autonomia - Disse ignorando o sinismo - Acho que me saio melhor quando estou sozinho. Percebi isso na ultima missão.


- E se eu precisar de você no tempo em que estiver longe? - Apoiava graciosamente o queijo nas mãos unidas pelos dedos numa espressão tentadora.


- Prometo estar sempre por perto. Afinal de contas, eu sempre estou...


Foi uma sorte que a biblioteca estava pouco iluminada, caso contario ela concerteza teria percebido o meu rubor.

Sendo assim... - Não desviava os olhos dos meu, mas mesmo assim, ela parecia relutante - ...Voce Tem a minha permissão.

Não pude deixar de expor meu sorriso fino - Não pensei que você fosse deixar. Parecia tão mais brava antes - Tentava parecer igualmente sinico enquanto insinuava expanto gesticulando com as mão no ar.

- Voce veio aqui e fez um pedido simples. Mas não pense que eu não vou impor regras... - Apesar da atitude previsivel, tentei parecer surpreso com a afirmação, não queria estragar o momento egocentrico que raramente eu podia apreciar na Amanda - também tenho minhas exigencias.

O silencio pairava antecedendo o esporro, enquanto a lareira, ainda crepitante, aquecia aquele olhar cheio de autoriadade.

Não sabia quanto tempo já tinha se passado naquela conversa. Mas em relação a liberdade, o meu conforto era tão grande comparado a primeira vez que eu estive ali, que não conseguia mais me sentir incomodado na presença da Amanda. Acho que estava começando a gosta daquela companhia, e no fundo, em uma visão mais ampla e otimista, podia dizer que ela também tinha se acostumado com a minha.

Num suspiro profundo o momento descontraido acabara na mesma velocidade com que eu viajava em meus pensamentos.

- As regras vão servir tanto pra você sozinho quanto pra voce acompanhado. Nada muda, só não vai receber pela hora extra...

- Sim..

- ... Sempre que mudar de missão tem que me avisar onde e quando, para possiveis contatos...

- Sim...

- ...Se você se machucar nas suas missões, não tera a assistência da Barbara. Se é  "autonomia" que voce quer - o sarcasmo agora era evidente - Vai estar por conta própria. E se fizer algo errado... - Engoli em seco -...Vai responder por voce mesmo. Não fara parte da agencia enquanto estiver sozinho.

- Concordo - Apesar do medo eu estava certo naquilo que eu queria e não voltaria atraz na minha decisão. Nem com tantas exigencias.

Ainda tentando assimilar as ultimas informações minha mente vagava pela biblioteca.


- Mais alguma coisa Coruja? - Ela desvia os olhos cor de ambar dos meus enquanto voltava a abrir o livro grosso.

- Não. Acho que já falei tudo que eu queria - Na verdade, estava pensando em algo convincente pra continuar aquela conversa tão "agradavel"...

- Muito bem, então esta dispensado. - ...Mas, era evidente que a conversa já tinha acabado - Quando sair feche a porta por favor.

Agora, fitando as paginas do livro, envolta em facinio ela ignora minha presença e se entrega a leitura.

Me levanto devagar observando a figura intrigante. Como ela conseguia ser tão bonita mesmo na penumbra, onde mal podia se ver o contorno do rosto? Como ela conseguia sustentar uma figura tçao atraente e arrogante ao mesmo tempo?

Essas eram respostas que eu nunca me atreveria a descobrir.

Num momento seguinte me distraio decidindo se saio pela porta ou pela janela, afinal de contas, estava dispensado.

Agora de costas para a mesa, passo as mãos pelos livros das estantes laterais fazendo o caminho rotineiro até a porta também de marfim. O cheiro de pagina velha me lembrava dos bons momentos que eu havia passado ali enquanto agregava um pouco mais de cultura a minha mente as vezes tão surreal.

Era lá onde eu me refugiava dos tiroteios, torturas e arranhões.
Um lugar confortavel e com boa companhia.
Um lugar que se assemelhava a sensação gostosa de dormencia que eu sentia todas as raras vez em que me sentia em casa.

Onde na maioria das vezes eu me pegava oscilando entre a vontade de ficar e a nessecidade de ir embora.

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...Oscilando...  escrito em domingo 31 agosto 2008 01:09

A sola da bota, silênciosa como de costume, anda enquanto a mente vaga pelo corredor sem volta da biblioteca.
Com a mão na maçaneta respiro antes de entrar.
Minhas vestes pretas e pesadas se iluminam na luz da lareira quente.Passo a mão no cabelo rebelde tentando não parecer tão desleixado.
Como de costume a cadeira estofada em couro vinho estava vazia. E isso, num subto instante de felicidade anunciava que Amanda estava de bom humor.

-Pensei que tinha perdido o gosto pela biblioteca Coruja.

A voz descontraida, vinda do segundo andar, de trás de um grosso e surrado livro intitulado " Sonhos e Pesadelos", parecia apropriada para o momento.

-Estive ocupado.

-Salvando criançinhas indefesas ou destruindo mais Patrimonios Publicos? - Não pude deixar de notar o sinismo das ultimas palavras.

-Na verdade, era justamente sobre isso que eu queria conversar.

Me analisando por um instante - Vai me pedir aumento também? - O Allan concerteza já havia passado por lá  antes de mim.

-Não, vou pedir mais trabalho.

Ela desce os degrais circulares enquanto a lareira crepitava ao lado da mesa de carmim.O globo encima da mesa refletia a luz do lugar.
Tirando a lareira, o luar que atravessava a janela entre aberta era a unica iluminação da biblioteca.


-Nos ultimos tempos, eu tenho me incomodado com o fato de não dormir. Não me sinto cansado, e por isso queria aproveitar mais o meu tempo. Treinar mais. - Dobrava os dedos nas costas tentando não parecer tão ancioso.

-As missões periodicas que vocês quase nunca completão com susseço não bastam pra preencher a sua folha de pagamento Coruja? - O andar flutuante parecia me provocar mais do que as palavras - Por que se for esse o caso, não estou disposta a dar mais desculpas aos meus contribuintes sobre bens que desaparecem, estradas que explodem sem nenhum motivo, ou civis que veem homens alados durante o dia.

-Nós estamos tentando nos adaptar a nova rotina de super agente - Em parte ela estava certa, mas o dificil era explicar como as coisas pareciam planejadas. Simplesmente aconteciam, e eu na maioria da vezes, levava a culpa por ser o mais despreparado - Não tem como controlar...

- É sua obrigação ser cauteloso. A sorte dos três é que eu não tenho tempo de treinar mais um ou dois agentes pra subistituição - Enquanto falava cerrava os olhos ameaçadoramente - Caso contrario já teriam sido expulsos da corporação. Sera que é pedir de mais um pouco mais de cautela?
Já deixei avizado ao allan e vou falar com o Nelson pela amanha. Não quero mais erros. Não quero mais improvisos. Não quero mais irresponsabilidade!

O silêncio invade a sala.A essa altura eu quase me esquecia do motivo da visita.Tentava tristemente lembrar de uma vez em que ela se sentiu satisfeita com as nossas missões.
Tudo bem que era mais facil quando estavamos na CIA. Uma corporação menor pede medidas menores. Mas agora, as proporções eram catastróficas. Nada parecia sair como o planejado. E isso era um tanto incomodo.

-Mas acho que você não veio aqui pra levar bronca... - Agora sorrindo ela se sentava em sua cadeira e me indicava a cadeira vaga a sua frente. Por que sera que ela tinha um humor tão instavel? - ...Contime  o que voce quer.

Sento na cadeira tentando parecer o mais confortavel possivel, e enquanto ela pousava o livro grosso na mesa de marfim eu analisava cada sentimetro daquele rosto rosado antes de prosseguir. Me sentia mais seguro antes da bronca, mas não custava nada tentar. O cabelo castanho ondulado as vezes me distraia enquanto a luz do luar sintilava as suas variações de tonalidades. 


- Quero permissão pra sair em missão por conta própria... - As palavras saltavam muito mais rapido do que eu imaginara - ...Sem o Allan ou o Nelson.


Fisgando a minha impaciencia ela se abre em um sorriso malicioso.


- Tipico.Mas... - Inclinando-se mais para a frente enquanto cerrava os olhos - ...Por que?


Agora ela estava tão perto de mim que eu quase podia sentir o cheiro da sua pele - Autonomia - Disse ignorando o sinismo - Acho que me saio melhor quando estou sozinho. Percebi isso na ultima missão.


- E se eu precisar de você no tempo em que estiver longe? - Apoiava graciosamente o queijo nas mãos unidas pelos dedos numa espressão tentadora.


- Prometo estar sempre por perto. Afinal de contas, eu sempre estou...


Foi uma sorte que a biblioteca estava pouco iluminada, caso contario ela concerteza teria percebido o meu rubor.

Sendo assim... - Não desviava os olhos dos meu, mas mesmo assim, ela parecia relutante - ...Voce Tem a minha permissão.

Não pude deixar de expor meu sorriso fino - Não pensei que você fosse deixar. Parecia tão mais brava antes - Tentava parecer igualmente sinico enquanto insinuava expanto gesticulando com as mão no ar.

- Voce veio aqui e fez um pedido simples. Mas não pense que eu não vou impor regras... - Apesar da atitude previsivel, tentei parecer surpreso com a afirmação, não queria estragar o momento egocentrico que raramente eu podia apreciar na Amanda - também tenho minhas exigencias.

O silencio pairava antecedendo o esporro, enquanto a lareira, ainda crepitante, aquecia aquele olhar cheio de autoriadade.

Não sabia quanto tempo já tinha se passado naquela conversa. Mas em relação a liberdade, o meu conforto era tão grande comparado a primeira vez que eu estive ali, que não conseguia mais me sentir incomodado na presença da Amanda. Acho que estava começando a gosta daquela companhia, e no fundo, em uma visão mais ampla e otimista, podia dizer que ela também tinha se acostumado com a minha.

Num suspiro profundo o momento descontraido acabara na mesma velocidade com que eu viajava em meus pensamentos.

- As regras vão servir tanto pra você sozinho quanto pra voce acompanhado. Nada muda, só não vai receber pela hora extra...

- Sim..

- ... Sempre que mudar de missão tem que me avisar onde e quando, para possiveis contatos...

- Sim...

- ...Se você se machucar nas suas missões, não tera a assistência da Barbara. Se é  "autonomia" que voce quer - o sarcasmo agora era evidente - Vai estar por conta própria. E se fizer algo errado... - Engoli em seco -...Vai responder por voce mesmo. Não fara parte da agencia enquanto estiver sozinho.

- Concordo - Apesar do medo eu estava certo naquilo que eu queria e não voltaria atraz na minha decisão. Nem com tantas exigencias.

Ainda tentando assimilar as ultimas informações minha mente vagava pela biblioteca.


- Mais alguma coisa Coruja? - Ela desvia os olhos cor de ambar dos meus enquanto voltava a abrir o livro grosso.

- Não. Acho que já falei tudo que eu queria - Na verdade, estava pensando em algo convincente pra continuar aquela conversa tão "agradavel"...

- Muito bem, então esta dispensado. - ...Mas, era evidente que a conversa já tinha acabado - Quando sair feche a porta por favor.

Agora, fitando as paginas do livro, envolta em facinio ela ignora minha presença e se entrega a leitura.

Me levanto devagar observando a figura intrigante. Como ela conseguia ser tão bonita mesmo na penumbra, onde mal podia se ver o contorno do rosto? Como ela conseguia sustentar uma figura tçao atraente e arrogante ao mesmo tempo?

Essas eram respostas que eu nunca me atreveria a descobrir.

Num momento seguinte me distraio decidindo se saio pela porta ou pela janela, afinal de contas, estava dispensado.

Agora de costas para a mesa, passo as mãos pelos livros das estantes laterais fazendo o caminho rotineiro até a porta também de marfim. O cheiro de pagina velha me lembrava dos bons momentos que eu havia passado ali enquanto agregava um pouco mais de cultura a minha mente as vezes tão surreal.

Era lá onde eu me refugiava dos tiroteios, torturas e arranhões.
Um lugar confortavel e com boa companhia.
Um lugar que se assemelhava a sensação gostosa de dormencia que eu sentia todas as raras vez em que me sentia em casa.

Onde na maioria das vezes eu me pegava oscilando entre a vontade de ficar e a nessecidade de ir embora.

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